lunedì 29 settembre 2008

AH, COMO EU AMO VOCÊ! (LL)



Jamais, mesmo, vou conseguir definir o que você me faz sentir. Foi com você que tudo começou. Você não foi só um cavalo, mas sim um mestre, um professor, um protetor. Talvez você nem soubesse de tudo isso. Você só enxergava uma guria que não alcançava nem sua canela, sentada na sela e chacoalhando os braços pra tudo quanto é lado. E a partir dali, eu começei a amar você. Um amor sincero, que aprendi a demonstrar carinhosamente pra você. Agradeço todos os dias por você estar presente na minha vida desde que nasci. Você fez brotar em mim essa paixão por cavalos, e se fez meu amigo. Jamais confiei tanto em um cavalo quanto confio em você. Só quero você do meu lado até seu, ou meu, último minuto. Quero poder dizer tudo isso pra você pela milésima vez, olhando nesses teus olhinhos, que tu sabe que me emocionam, e me trazendo toda a paz que você me traz. Quero te mostrar que meu amor por você não tem dimensão, nem pudor. Eu te amo completamente do jeito que você é. Porque você passou por seus maus bocados, mas eu sempre tive certeza que não era a hora de me despedir de você. E você próprio sabe as coisas que fiz para você melhorar. E ter você do meu lado, é contagiante. Só eu mesma sou capaz de descrever o quão feliz me sinto depois de meros cinco minutos do teu lado. Os problemas se vão, as intrigas desaparecem. Somos só eu e você, e um mundo todo pra nós. Eu amo tanto você, que fica difícil escrever tudo que tu significa pra mim, mas eu estou com você até o fim!

martedì 26 agosto 2008

"- Sei rezas com que venço a qualquer mau olhado,
breves para deixar todo o corpo fechado.
Não há faca que o vare e nem ponta de espinho:
fica o corpo tal qual o corpo do Dioguinho...
Mas de onde vem o mal que tanto de abateu?

- Ele vem de um olhar que nunca será meu...
Como está para o sol a luz morta da estrela
a luz do próprio sol está para o olhar dela...

Parece o seu fulgor quando o fito direito,
uma faca que alguém enterra no meu peito,
veneno que se bebe em rútilos cristais
e, sabendo que mata, eu quero beber mais...

- Eu já compreendo o mal que teu peito povoa.
Dize Juca Mulato, de quem é esse olhar?
- Da filha da patroa.

- Juca Mulato! Esquece o olhar inatingível!
Não há cura, ai de ti, para o amor impossível.
Arranco a lepra do corpo, estirpo da alma o tédio,
só para o mal de amor nunca encontrei remédio...
Como queres possuir o límpido olhar dela ?
Tu és qual um sapo a querer uma estrela...

A peçonha da cobra eu curo... Quem souber
cure o veneno que há no olhar de uma mulher!
Vencendo o teu amor, tu vences teu tormento.
Isso conseguirás só pelo esquecimento.
Esquecer um amor dói tanto que parece
que a gente vai matando um filho que estremece
ouvindo, com terror, no peito, este estribilho:
"Tu não sabes, cruel, que matas o teu filho?"

E, quando se estrangula, aos seus gemidos loucos,
a gente quer que viva e vai matando aos poucos!
Foge! Arrasta contigo essa tortura imensa
que o remédio é pior do que a própria doença,
pois, para se curar um amor tal qual esse...

- Que me resta fazer ?

- Juca Mulato: esquece!"

Vínicius, novamente..

A brusca poesia da mulher amada (II)

A mulher amada carrega o cetro, o seu fastígio
É máximo. A mulher amada é aquela que aponta para a noite
E de cujo seio surge a aurora. A mulher amada
É quem traça a curva do horizonte e dá linha ao movimento dos
astros.
Não há solidão sem que sobrevenha a mulher amada
Em seu acúmen. A mulher amada é o padrão índigo da cúpula
E o elemento verde antagônico. A mulher amada
É o tempo passado no tempo presente no tempo futuro
No sem tempo. A mulher amada é o navio submerso
É o tempo submerso, é a montanha imersa em líquen.
É o mar, é o mar, é o mar a mulher amada
E sua ausência. Longe, no fundo plácido da noite
Outra coisa não é senão o seio da mulher amada
Que ilumina a cegueira dos homens. Alta, tranqüila e trágica
É essa que eu chamo pelo nome de mulher amada.
Nascitura. Nascitura da mulher amada
É a mulher amada. A mulher amada é a mulher amada é a mulher
amada
É a mulher amada. Quem é que semeia o vento? – a mulher amada!
Quem colhe a tempestade? – a mulher amada!
Quem determina os meridianos? – a mulher amada!
Quem a misteriosa portadora de si mesma? A mulher amada.
Talvegue, estrela, petardo
Nada a não ser a mulher amada necessariamente amada
Quando! E de outro não seja, pois é ela
A coluna e o gral, a fé e o símbolo, implícita
Na criação. Por isso, seja ela! A ela o canto e a oferenda
O gozo e o privilégio, a taça erguida e o sangue do poeta
Correndo pelas ruas e iluminando as perplexidades.
Eia, a mulher amada! Seja ela o princípio e o fim de todas as coisas.
Poder geral, completo, absoluto à mulher amada!



Rio de Janeiro, 1950
"De manhã escureço
de dia tardo
de tarde anoiteço
de noite ardo."

- Vinícius de Moraes

martedì 19 agosto 2008

"São demais os perigos desta vida
Para quem tem uma paixão principalmente
Quando uma lua chega de repente
E se deixa no céu, como esquecida.
E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer,
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher."

Vinícius de Morais



venerdì 15 agosto 2008

SÓ POR HOJE

"Os dez mandamentos para obter a paz, segundo o Papa João XXIII:

Só por hoje procurarei viver exclusivamente este meu dia, sem tentar resolver de imediato o problema de toda minha existência.

Só por hoje terei o máximo cuidado com o meu modo de tratar as pessoas; sendo delicado em minhas maneiras, não criticando a ninguém, não pretendendo melhorar ou disciplinar ninguém, se não a mim.


Só por hoje me sentirei feliz com a certeza de ter sido criado para ser feliz, não só no outro mundo, mas também neste.


Só por hoje ajustar-me-ei à realidade; sem procurar fazer com que as coisas se ajustem aos meus próprios desejos. Aceitarei o que o destino me oferecer e a isso me adaptarei.


Só por hoje dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura; lembrando-me que assim como é preciso comer para sustentar o meu corpo, assim também a leitura é necessária para alimentar a vida de minha alma.


Só por hoje exercitarei meu espírito de dois modos: farei uma boa ação sem contá-la a ninguém e farei uma coisa que não gosto, de que não tenho vontade de fazer, como disciplina. Se for ofendido nos meus sentimentos procurarei que ninguém o saiba.


Só por hoje farei um programa bem completo do meu dia. É possível que não o siga exatamente, mas em todo o caso o terei. E me guardarei de duas calamidades: a pressa e a indecisão.


Só por hoje terei meia hora de quietude a sós e, então, repousarei. Durante essa meia hora procurarei obter uma melhor perspectiva de minha vida.


Só por hoje ficarei firme na fé, com a certeza que a Divina Providência se ocupa de mim, como se somente eu existisse no mundo, ainda que as circunstâncias manifestem o contrário.


Só por hoje não terei medo de nada. Principalmente não terei medo de gozar do que é belo e de acreditar que, do mesmo modo como eu me der ao mundo, assim o mundo me dará."

mercoledì 23 luglio 2008

Um pouco mais,

Eu gostaria de um pouco mais, um pouco mais de mim.
Adoro música, gosto muito de música, principalmente aquelas que apresentam um violão.
Eu sei/tento tocar.
Não gosto das coisas efêmeras, elas passam muito rápido e eu prefiro degustar.
Gosto de livros. Na verdade, eu devoro todos eles. Mas e daí né?, por que você deveria saber?
Não gosto de gente fresca. Nem de mente vazia. Não gosto.

Gosto de um pouco de solidão, mas só um pouco.
Animais, todos eles.
Não sei arrotar, AINDA.
Aprecio boas frases, bons pensamentos e idéias sensatas.
Gosto de simplicidade, cumplicidade e da boa e velha sinceridade.

Dou valor às pessoas que amo, mesmo que algumas vezes elas não se dão conta desse detalhe.
Desenho. Mal e porcamente, mas desenho.
Odeio quando tentam me persuadir; não quer dizer que eu não tente.

Adoro filmes com conteúdo, seriados interessantes, vida real. Não uma comédia forçada nem um terror fictício.
E sempre espero "um pouco mais" de tudo.

lunedì 19 maggio 2008

Sorte de hoje: Só prometa o que pode cumprir.



Há, chega mesmo uma hora em que a gente cansa de ouvir velhas promessas. Chega aquele momento em que nos tornamos céticos e passamos a acreditar somente no que a razão nos diz.

domenica 4 maggio 2008


"Aqui me ponho a cantar 
Ao compasso da guitarra

Que o índio que se desgarra

Nunca mais pode parar
Viver é contrapontear
Na tristeza onde se atola

Sem jamais pedir esmola

Nem carinho, nem perdão,

Pois abrindo o coração

É que o guasca se consola

E adonde venho respondo:
Sou da pampa e do varzedo

Guri criado sem medo

De cobra ou de marimbondo

Eu sei que o mundo é redondo

No seu arrodear sem fim

Índio pobre, e mesmo assim

Me alimento com meu canto
Tantos são donos de tanto

Ninguém é dono de mim

(Talvez por ser prisioneiro
Das ânsias e rebeldias

De andar as noites e os dias

Rondando como tropeiro
Talvez por ser guitarrero
Criado sem protovolo

Desde que mamei no colo

Da mama bugra campeira

Trago a alma prisioneira

Das coisas que vêm do solo)


Enquanto houver um paisano

Que ponteie uma guitarra
Enquanto houver uma garra

No lombo de um orelhano

Enquanto houver um pampeano

Guardando o sagrado estilo
Eu hei de seguir tranqüilo

Sem galopear, não me apuro

Porque quanto mais escuro
Mais claro é o canto do grilo


E quando eu me for, indiada,
Não quero mágoa nem choro
Não vai fazer falta um touro

Há tantos nesta invernada

Um 'Deus te salve', mais nada

Quando souberem: morreu

Já podem saber que eu

Que esbanjei tantos carinhos

Ando a campear nos caminhos

O que eu quis ser e não deu."